Apresentação:
Meu nome é Hugo Santarem Rodrigues e meu trabalho articula investigações sobre estruturas históricas de longa duração com a produção de narrativas visuais humanistas. A partir da perspectiva das histórias conectadas, busco compreender como essas estruturas e conexões atravessam as experiências de indivíduos, comunidades e territórios. Essa atuação se organiza principalmente em dois núcleos complementares: o projeto editorial Nação do Passado e o núcleo de criação e produção visual Ponto de Fuga.
Ponto de Fuga surgiu como um coletivo criativo que fundei em 2012, após uma década de atuação na área criativa como diretor de arte em agências de publicidade. Após o encerramento do coletivo, tornou-se gradualmente meu espaço autoral de criação e pesquisa. Nesse espaço, desenvolvo trabalhos voltados às linguagens da fotografia, à construção de memória por meio das imagens, à exploração estética e técnica e à investigação de métodos e filosofias da imagem.
Essas práticas decorrem da minha formação interdisciplinar em comunicação, artes visuais, fotografia e cinema. Amparado por esse repertório, retomei o propósito que havia orientado, desde 2004, a pesquisa e o projeto de roteiro sobre trabalho escravo contemporâneo que deram origem ao longa-metragem Pureza e que, posteriormente, fundamentaram a linha editorial de Nação do Passado.
Nação do Passado dedica-se à investigação de apagamentos históricos, à recuperação de histórias silenciadas e à identificação das permanências de estruturas coloniais no presente, assim como as relações entre memória, movimentos migratórios, hibridismos culturais e circulação de pessoas e conhecimentos entre diferentes territórios. O título inspira-se em uma carta escrita por André Rebouças em 1892, na qual afirma: "Já considero o Brasil uma nação do passado, como a Grécia Antiga."
O percurso investigativo que resultou em Pureza teve continuidade no Projeto Interior, uma autoetnografia que documenta a investigação e o resgate da minha própria ancestralidade, articulando esse percurso à investigação sobre as origens de tradições culturais consagradas como símbolos da brasilidade.
Esse longo percurso investigativo tem resultado na recuperação de documentos e histórias obscurecidos pela historiografia dominante e na formulação de O Mito da Imigração e Indo-Brasilidade, categorias interpretativas que desenvolvi para compreender as questões históricas identificadas ao longo da pesquisa.
Atualmente, sou mestrando em Estudos Brasileiros na Universidade de Lisboa, onde sistematizo e aprofundo minhas investigações. Meu diagnóstico tardio de neurodivergência, aos 44 anos, me ajudou a compreender meu percurso biográfico e os modos como investigo, crio e estabeleço conexões.















