
Apresentação resumida: Meu nome é Hugo Santarem Rodrigues e meu trabalho articula investigações sobre estruturas de longa duração e histórias conectadas com a produção de narrativas visuais humanistas. Essa atuação se organiza principalmente em dois núcleos complementares: o projeto editorial Nação do Passado e o núcleo de criação e produção visual Ponto de Fuga. Ponto de Fuga é o espaço dedicado à criação fotográfica e audiovisual, à construção de memória por meio das imagens, à exploração estética e técnica no campo artístico, às experimentações visuais e à investigação de métodos e filosofias da imagem. Essas práticas são resultado da minha formação interdisciplinar em comunicação, artes visuais, fotografia e cinema. Nação do Passado é voltada à investigação de apagamentos históricos, à recuperação de histórias silenciadas e à identificação das permanências de estruturas coloniais no presente, assim como à investigação das relações entre memória, movimentos migratórios, hibridismos culturais e circulações de pessoas e conhecimentos entre diferentes territórios. O título inspira-se em uma carta escrita por André Rebouças em 1892, em que diz: "Já considero o Brasil uma nação do passado, como a Grécia Antiga." O marco inicial desse percurso é a minha pesquisa independente sobre trabalho escravo contemporâneo, iniciada em 2004, que deu origem ao longa-metragem Pureza. A continuidade dessa pesquisa, o Projeto Interior, documenta o resgate da minha própria ancestralidade. Esse longo percurso investigativo resultou na recuperação de documentos e histórias obscurecidos pela historiografia dominante e na formulação de O Mito da Imigração e Indo-Brasilidade, categorias interpretativas que desenvolvi para compreender os problemas históricos identificados ao longo da pesquisa. Atualmente, sou mestrando em Estudos Brasileiros na Universidade de Lisboa, onde sistematizo e aprofundo minhas investigações.
Biografia completa: Em 2004, iniciei uma pesquisa independente sobre trabalho escravo contemporâneo que resultou no longa-metragem Pureza. Essa pesquisa começou quando fui morar no Maranhão e passei a viajar por seu interior. Conheci pessoas e suas histórias, conectei-me com elas e compreendi de perto como as estruturas sociais atravessam nossas vidas, especialmente quando perdi uma pessoa muito próxima em decorrência da violência da região. Essa experiência moldou profundamente meu percurso de vida. O filme foi lançado somente em 2022, mas a minha pesquisa autoral e meu propósito não foram realizados com o filme: a minha ideia original buscava compreender quais estruturas mantinham algumas pessoas em um sistema violento e ultrapassado, enquanto outra parcela da população se beneficiava desse mesmo sistema. Meu desejo de contar a história dela era uma forma de, por meio da arte e da investigação, contribuir para que outras pessoas pudessem ser resgatadas dessa estrutura injusta, assim como Pureza havia feito ao buscar o próprio filho. Durante esse processo, fui compreendendo como elites selecionavam partes do passado e produziam recortes historiográficos que contribuíam para a preservação de suas posições de prestígio, ao mesmo tempo que se apropriavam de causas legítimas em benefício próprio. Ter vivenciado essas realidades me causavam profunda angústia e depressão. Meu ponto de vista tem raízes em minha história pessoal. Meus pais são do interior da Bahia, onde começaram a trabalhar desde a infância, inclusive com alfabetização de adultos. Migraram para Brasília e dedicaram a vida profissional à assistência social. Meu pai, negro, nascido em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, trazia consigo o orgulho dessa coincidência simbólica. Esse ambiente e minhas vivências permitiram-me articular as experiências empíricas às minhas pesquisas artísticas e acadêmicas. Por 20 anos, trabalhei na área de comunicação e arte, período em que tive o privilégio de receber prêmios e outros reconhecimentos locais e internacionais. Formei-me em publicidade (IESB – Brasília), pós-graduei-me em artes visuais (Senac – Brasília), estudei fotografia na School of Visual Arts (Nova York) e cinema na AIC (São Paulo) e na Roteiraria. Apesar da minha formação e dos reconhecimentos profissionais, via-me distante de poder realizar o propósito que havia orientado minha pesquisa desde o início do percurso que deu origem a Pureza, em 2004. A retomada desse propósito ganhou forma com o Projeto Interior, em 2014, voltado à investigação da minha ancestralidade: a partir de um teste de DNA, busquei paralelos entre minha ascendência e a formação do Brasil. O papel dos movimentos migratórios na construção da cultura brasileira tornou-se, então, o eixo central da minha metodologia. Durante a pandemia, voltei a me dedicar mais intensamente a esse caminho, que considero coerente com meu propósito. Depois de investigações empíricas no Brasil e na África, ampliei o campo de investigação para os antigos territórios coloniais portugueses e suas conexões com o Brasil colonial.Foi nessa trajetória que recuperei conexões e recortes historiográficos a partir dos quais formulei os conceitos que denominei Indo-Brasilidade e O Mito da Imigração, desenvolvidos como categorias interpretativas e métodos críticos de leitura histórico-social, posteriormente incorporados à minha pesquisa acadêmica. No início de 2026, aos 43 anos, iniciei meu mestrado em Estudos Brasileiros na Universidade de Lisboa, em Portugal. Minha tese sistematiza e desenvolve o percurso de pesquisa que deu origem a Pureza e, posteriormente, às formulações de O Mito da Imigração e Indo-Brasilidade. Eu sempre convivi com dimensões que, muitas vezes, pareciam conflitantes: de um lado, a busca pela arte, pela criação e por uma visão otimista do mundo; de outro, uma necessidade intensa de compreender fatos, estruturas e padrões, acompanhada por períodos de hiperfoco em investigação e pesquisa. Um lado pedia aventura; o outro, rotina. A tensão entre essas necessidades, somada à intensidade com que eu procurava compreender a realidade, frequentemente me causava grande mal-estar e depressão que me acompanhavam desde a infância. Minha tendência a buscar padrões, estabelecer conexões criativas e questionar meus próprios vieses passou a ser compreendida sob uma nova perspectiva com meu diagnóstico tardio, aos 44 anos, de TDAH e TEA. O diagnóstico me ajudou a compreender o modo como investigo, crio e me relaciono com o mundo, reforçando também um princípio que orienta minha pesquisa: novas informações do presente ampliam nossa compreensão do passado.
Currículo: Mestrando em Estudos Brasileiros (Universidade de Lisboa) Pós-graduação em Artes Visuais (Senac) Studio/Advertising Photography and Lighting for the Magazine Photographer (School of Visual Arts, Nova York) A Escrita do Argumento e Bíblia: da Criação à Venda (Roteiraria) Direção de Fotografia para Cinema (Academia Internacional de Cinema de São Paulo) Bootcamp Branded Entertainment & Content (Miami Ad School Brazil) Graduação em Comunicação Social (IESB) Prêmios e concursos: 1º lugar – Spotlight Awards 1º e 2º lugares – Chromatic Awards 2º lugar – MonoVisions Awards 3º lugar – IPA (International Photography Awards), com 6 menções honrosas 3º lugar – The Independent Photographer 4º lugar – Xposure Festival Top 10 – SeeMe Festivais e exibições: Festival de Fotografia de Tiradentes – Minas Gerais, Brasil – 2019 Affordable Art Fair – Nova York, Estados Unidos – 2019 Xposure Festival – Emirados Árabes Unidos – 2019 Galeria Almeida Prado – São Paulo, Brasil – 2017 Artlab Gallery – São Paulo, Brasil – 2019 Divino Galeria – Brasília, Brasil – 2020 GW Gallery – São Paulo, Brasil – 2020
Na imprensa:
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